quarta-feira, 3 de junho de 2015

Campanha no Rio quer incentivar discussão sobre nova política de drogas




Charges ironizando a repressão militar ao tráfico de drogas, com frases como "Drogas: Reprimir mata mais que usar", começam a circular hoje (22) nos ônibus da cidade do Rio de Janeiro. Elaboradas por cinco cartunistas, como Laerte e Angeli, as peças são parte da campanha Da Proibição Nasce o Tráfico, elaborada pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes e lançada nesta semana.

A campanha quer incentivar a discussão sobre uma nova política de drogas, considerando que as regras atuais são incapazes de reduzir o consumo e garantir a segurança da população. “A guerra mata mais do que as drogas”, diz o desenho de Angeli e "A guerra às drogas não funcionou", afirma o de André Dahmer. Laerte desenha um político discursando de um púlpito (que também é uma caixa registradora) e pergunta: "Quem ganha com tudo isso?”.
Responsável pela campanha, a socióloga Julita Lemgruber, do centro de estudos, diz que a falta de informações trava o debate sobre a produção, a venda e o consumo de drogas legais. Ela defende uma mudança cultural que encare os dependentes químicos como pessoas doentes e retire o mercado das drogas das mãos de criminosos. Para Julita, o primeiro mito a ser enfrentado é o do que a maconha é a porta de entrada para outros psicotrópicos.
  
Durante a apresentação das charges em debate sobre a descriminalização das drogas e a regulação do mercado, o diretor da organização não governamental (ONG) Open Society para América Latina e Caribe, Pedro Abramovay, disse que o Brasil não precisa buscar referências apenas na Europa. Ele cita a prefeitura de São Paulo como exemplo, por ter substituído a abordagem policial na chamada Cracolândia, por atendimento médico e social a dependentes químicos.“Não é maconha que leva a outras drogas, é o álcool [droga lícita], mostram as pesquisas. A gente sabe que em Portugal, por exemplo, que descriminalizou [em 2001] o uso de todas as drogas, não houve aumento do consumo”, informou a socióloga. “Esses são mitos que queremos desafiar. A falta de informação leva a crer que a guerra às drogas pode funcionar.”
“A gente sabe o que dá errado: proibir, botar pessoas na cadeia ou matar. Há outras experiências que dão certo, de controle da substância e de redução de danos. Precisamos investir nessas experiências. É muito mais arriscado continuar na rota que estamos agora do que mudar”, avaliou.

Em evento internacional da Open Society hoje (22), no Rio, especialistas destacaram que a legislação punitiva, em qualquer parte do mundo, beneficia os operadores de esquemas de lavagem de dinheiro das drogas, em detrimento da violação de direitos de pequenos produtores e da população negra.

Na avaliação da Polícia Militar (PM), uma mudança na política é bem-vinda. “A descriminalização do usuário, para que ele possa ser tratado pela saúde pública, e não pelo sistema de Justiça criminal, é interessante na medida em que há uma perspectiva de diminuir o custo da ação policial e desonerar a corporação dessa dinâmica de enfrentamento”, concluiu o assessor de assuntos estratégicos da PM do Rio, coronel Antonio Carlos Caballo Blanco, que esteve no debate.



Trecho do programa "A verdade de cada um" do NatGeo que abordou o tema "CRACK".



Trecho do programa "A verdade de cada um" do NatGeo que abordou o tema "CRACK". Neste trecho foi destacado opinião de Psicólogos em contato com a Política de Redução de Danos e suas visões sobre o mundo das drogas.

Para Refletir......

O uso de drogas – principalmente as ilícitas – é uma condição clandestina, pela qual as pessoas não querem ser identificadas ou rotuladas. O medo de sofrer retaliações as afastam da possibilidade de buscar atendimento, agravando seu estado de saúde física, psíquica e social.

ONDE HÁ PRECONCEITO NÃO HÁ POSSIBILIDADE DE AJUDA!

CAPS AD – Serviço especializado para usuários de álcool e drogas (de 70 mil a 200 mil habitantes). Existem 268 unidades no país.




Este é um vídeo explicativo de uma Psicóloga especialista em Dependência Química, onde será abordado como é feito o Serviço no CAPS AD, que é uma prática da Redução de Danos.


O CAPS AD é a única unidade de saúde especializada em atender os dependentes de álcool e drogas na capital, dentro das diretrizes determinadas pelo Ministério da Saúde, que tem por base o tratamento do paciente em liberdade, buscando sua reinserção social.

Desta forma, o CAPS AD oferece atendimento diário a pacientes que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas, permitindo o planejamento terapêutico dentro de uma perspectiva individualizada de evolução contínua. O apoio da família é fundamental neste processo, então semanalmente, são realizadas pelas psicólogas, um grupo para atendimento aos familiares de pacientes, onde são esclarecidas dúvidas, anseios e dado o suporte que a família necessita.

Todos os encaminhamentos devem partir das unidades de saúde da capital, ou o paciente pode chegar ao CAPS através de demanda espontânea. O CAPS AD possui uma equipe multiprofissional formada por dois psiquiatras, duas psicólogas, uma médica clínica geral, uma assistente social, uma terapeuta ocupacional, uma farmacêutica, um enfermeiro, dois técnicos de enfermagem, um professor de educação física, uma professora de artes, além da equipe administrativa.

Na unidade são oferecidas atividades recreativas, educativas e profissionalizantes, como aulas de artesanato, mosaico, pintura em tela e tecido e produção de bijuterias. Além disso, realiza-se caminhadas e atividades na piscina, proporcionando mudança de comportamento e, conseqüente, melhora na qualidade de vida dos pacientes. Ainda, são realizadas palestras educativas pela equipe de enfermagem, psicoterapias de grupo e quando necessário, sessões de psicoterapia individual.


CLIENTELA: crianças, adolescentes e adultos com dependência química causada por substâncias psicoativas.


A Prefeitura do Rio conta com 13 Centros de Atenção Psicossociais (CAPS), 4 Centros de Atenção Psicossocial Álcool Outras Drogas (CAPSad) e 7 Centros de Atenção Psicossociais Infantis (CAPSi), totalizando 25 unidades especializadas próprias. Outras 3 das redes estadual e federal completam a rede de 28 CAPS dentro do município do Rio de Janeiro.




Boas Vindas

Olá Pessoal!

Este Blog foi criado com o objetivo de servir de Campanha para Redução de Danos, em cumprimento da Disciplina Toxicodependência.


Esperamos conseguir contribuir para um melhor entendimento do assunto, e aumentar o debate sobre o tema, que ainda é um tabu para grande parte da sociedade.








“Pensar Redução de Danos é pensar práticas em saúde que considerem a singularidade dos sujeitos, que valorizem sua autonomia e que tracem planos de ação que priorizem sua qualidade de vida.” (VINADÉ, 2009, p. 64).